prestam para nada. Veja como livrar seu computador dos programas
pré-instalados pelos fabricantes
Podem chamá-los de junkware, ou mesmo de bloatware, demoware ou adware.
Para os usuários de Windows estes softwares pré-instalados nos novos
computadores não passam de crapware (em inglês, "crap" quer dizer "lixo",
"porcaria") - programas com pouca utilidade, geralmente instalados sem o
consentimento do usuário.
Compre um micro novo e você verá que eles sempre estão lá, geralmente em
versão de demonstração, para induzir os usuários a experimentar um
determinado serviço ou comprar o programa completo. Pode ser um software de
segurança como o Norton, um editor de imagens da Corel, programas
multimídia da Roxio, ou mesmo ofertas de provedores de internet como a AOL.
Até a Microsoft já entrou na onda com versões de demonstração de seus
softwares, como o Office, oferecidas como "brinde" com um novo PC.
Em outras palavras, marqueteiros estão usando o computador que você acabou
de adquirir como um painel publicitário. O bloatware - software que provê
funcionalidade mínima, ao mesmo tempo em que exige quantidades
desproporcionais de armazenamento, memória e poder de processamento - está
lá porque desenvolvedores de software ou provedores de serviços pagam aos
fabricantes de computadores para instalá-lo. Grande parte destes
fabricantes, presos em uma acirrada guerra de preços, quer o dinheiro para
engrossar suas pequenas margens de lucro.
"Essas coisas são uma dor de cabeça para os consumidores. Quando novos
usuários ligam seus computadores, eles não estão esperando se deparar com
todos estes botões e ícones, e acabam ficando confusos", disse Michael
Redmond, diretor da área de softwares do NPD Group, uma empresa de
consultoria de marketing sediada em Port Washington, estado de Nova Iorque.
"Por outro lado, os fabricantes não querem recusar este dinheiro fácil".
Os programas pipocam nas telas dos computadores na forma de ícones ou
barras de ferramentas pouco depois que o micro é ligado e convidam os
consumidores desavisados a experimentar tal programa de edição de DVDs, ou
ainda aquele aplicativo para a edição de fotos ou para a produtividade do
escritório. A idéia é direcionar novos proprietários de PCs para sites onde
poderão gastar dinheiro em produtos e serviços, ou persuadi-los a usar um
serviço gratuito por um período de 30 ou 90 dias, e em seguida comprá-lo.
"Muitas pessoas ficam chocadas ao descobrir, depois de 90 dias, que na
verdade terão de adquirir o programa", disse Mark Reiman, vendedor
especializado em informática de uma loja BestBuy, rede varejista de
eletrônicos americana, situada em Carle Place, estado de Nova Iorque.
Estes programinhas aparentemente inofensivos, apesar de causarem amolação,
podem atormentar a máquina, impedindo o bom funcionamento do sistema
operacional, tornando a inicialização do micro mais lenta, além de ocupar
espaço no disco rígido e encher o desktop de ícones não desejados e outros
gráficos irritantes.
"Alguns consumidores são bastante francos em relação a este tipo de
software instalado em seus sistemas", disse Anne Camden, porta-voz da Dell.
Há uma boa razão para removê-los. "Nossos testes internos mostram que a
simples desinstalação destes programas pode melhorar o desempenho do
computador em 20% ou mais", disse David Zipkin, gerente de produto sênior
do Windows para a Microsoft (A maioria dos especialistas acredita que um
tempo razoável para o boot do Windows Vista é de 34 a 45 segundos).
"Estamos muito atentos ao tempo de boot de nossas máquinas", disse Mike
Abary, vice-presidente sênior do marketing da Sony, que também está atento
em relação às críticas dos consumidores sobre esta questão. "Já
identificamos quais são os aplicativos que causam desempenho negativo, e os
removemos ou trabalhamos para aprimorá-los".
Mas, isto não quer dizer que os programinhas serão eliminados. Abary afirma
que 30% dos compradores de computadores Sony acabam usando alguns destes
softwares ? os quais ele chama de "presentes". "Acho que isso trás uma
perspectiva saudável sobre a questão", disse o executivo.
A tempestade de bloatware atingiu um limite em março, quando a Sony
introduziu ? por algumas horas ? um programa chamado Fresh Start. Ele
permitia que alguns compradores de laptops corporativos encomendassem um
micro livre destes softwares. O problema é que a Sony decidiu cobrar US$50
pelo serviço.
Dezoito horas depois, quando um exército de consumidores furiosos reagiu à
idéia de que teriam de pagar para remover algo que sequer queriam, a Sony
rescindiu a taxa. Abary culpou a falha de comunicação interna pelo
ocorrido. "Nós a corrigimos imediatamente", disse ele.
Localizar e eliminar bloatware não é complicado, mas quem não tem
familiaridade com o registro do sistema e configuração de computadores irá
precisar de ajuda. A seguir, algumas soluções:
A solução mais radical ? e a menos recomendada ? é apagar completamente o
disco rígido do computador e reinstalar o sistema operacional, muito
provavelmente o Windows Vista. Neste caso, o usuário teria de comprar uma
nova licença do Windows (e a versão mais barata custa em torno de R$ 300),
já que reinstalá-lo a partir dos discos de restauração fornecidos pelo
fabricante provavelmente vai colocar o lixo de volta no micro. Nesse caso,
pode ser necessário instalar manualmente drivers para periféricos como
impressoras e webcams para que eles voltem a funcionar. Se eles vieram com
seu PC, os drivers provavelmente estão na seção de suporte do site do
fabricante.
Ao invés disto, o usuário pode fazer uma remoção manual do lixo clicando no
ícone "Programas e Recursos" no painel de controle do Windows e seguir os
passos para a desinstalação de programas. Simplesmente deletar o ícone do
programa do desktop não adianta.
A Microsoft recomenda usar o OneCare Live ou o Windows Defender, este
último parte do Windows Vista. O Defender impede que programas se iniciem
automaticamente cada vez que o Windows for aberto. Procure o botão
Ferramentas, vá para Explorar Software e, na caixa de Categorias, selecione
Programas de Inicialização. Selecione o programa da lista e clique em
Desabilitar.
O Windows Live OneCare leva o processo mais adiante. Ele monitora quais
aplicativos de inicialização são usados apenas ocasionalmente. Usuários
podem escolher a partir de uma lista quais programas gostariam de
desabilitar. Este otimizador de desempenho também localiza vírus e spyware.
Porém, é preciso pagar uma taxa anual de US$50, mas ele pode ser instalado
em até três computadores diferentes.
Talvez a forma mais fácil seja usar outros softwares. O PC Decrapifier pode
ser baixado gratuitamente por usuários domésticos em versões para o Vista e
o XP. O software localiza o bloatware suspeito e, após solicitar
confirmação da remoção do programinha safado, o remove.
O Revo Uninstaller alega ser uma alternativa mais rápida e poderosa do que
a opção "Adicionar e Remover Programas" do próprio Windows. É fácil
entender sua interface e os programas instalados podem ser exibidos tanto
como ícones como em uma lista. Um grande botão "desinstalar" mostra o
caminho.
Algumas empresas já estão mais atentas ao problema e estão oferecendo aos
consumidores um pouco de poder de decisão em relação a softwares gratuitos
a serem instalados.
Por exemplo, ao encomendar um laptop Dell Studio no site da Dell, o cliente
pode recusar softwares de demonstração da AOL, Earthlink, Adobe, e o
programa de escritório Microsoft Works. O comprador também pode recusar a
versão de demonstração do antivírus da McAfee, com duração de 30 dias. A
melhor parte é que a Dell não cobra pela opção.
Os fabricantes de PCs estão começando a entender que para o usuário cansado
de bloatware outra solução, também bastante extrema, é mudar para uma
máquina Apple. A empresa, cuja fatia do mercado norte-americano de
computadores cresceu para 8% nos últimos meses, não entulha seus Macs,
iMacs e MacBooks com versões de demonstração de programas. Os computadores
Apple também não rodam automaticamente aplicativos de terceiros quando a
máquina é ligada. Será que a mensagem está sendo captada?
"Nossos clientes do segmento empresarial são os mais francos em relação ao
bloatware, mas todo mundo quer ter uma experiência melhor com seus
computadores, desde a hora da compra até quando descartam as máquinas",
disse Abary, da Sony. "Imagino o dia que nada disso estará presente nos
novos computadores".
Infelizmente, isto não deve acontecer tão cedo.
Fonte: Stephen Williams / NY Times - IGTecnologia
