quinta-feira, 26 de junho de 2008




O site sobre produtividade pessoal, Dumb Little Man, publicou recentemente dicas para quem se considera viciado em internet. São 4:

1. Imagine uma vida sem a web (para se acostumar com a idéia de estar desconectado).
2. Agende compromissos fora do ambiente dos computadores.
3. Defina um dia da semana para ficar completamente off-line.
4. Tire férias sem levar nenhum gadget.

Dicas úteis, mas um pouco pontuais demais. Não acho que vício em internet esteja separado de outros hábitos / vícios ancestrais da humanidade. O principal deles, a que vivo me referindo aqui, é o tagarelismo mental.

Veja, por exemplo, o vídeo Joel Johnson Wilderness Internet Experience (em inglês), no qual um dos editores do Boing Boing passa uns dias no mato. Ele não segue as dicas do Dumb Little Man e leva até painéis solares para recarregar seus aparelhos.

Mas os objetos físicos de conexão não importam muito. O que está por trás deles é o cérebro, o mais poderoso gadget, de que não conseguimos nos livrar.

Mesmo quando está completamente off-line, o blogueiro mantém os hábitos da vida conectada. Fala sem parar, agredindo e culpando a tudo e todos, do ambiente a si mesmo. Procura informações e conexões para obter opiniões o tempo todo. E, inclusive, já até responde a possíveis comentários do vídeo.

Quer dizer: mais ou menos as mesmas coisas que já fazemos desde que há humanos no planeta. Mas agora numa velocidade e estilo de quem está permanentemente numa tela, em público.

É claro, aí é que está a graça do programa. E o personagem estava lá para o show. Mas atire o primeiro blackberry quem nunca agiu assim. Muitos de nós vivemos com uma platéia imaginária na mente. Estamos sempre conectados, mesmo que não tenhamos um Twitter ou e-mail por perto. Nossas sinapses são os cabos de rede.

Assim, ficar longe do computador, por si só, não é a solução. Pode até ajudar. Mas é um paliativo. Você precisa aprender a dizer não ao desejo de estar sempre conectado, mesmo que esteja numa sala com 4 mil computadores.

Desconecte sua necessidade de tagarelar. Tente experimentar seu ambiente, sem usá-lo como pretexto para aparecer ou se justificar para seus fantasmas. Não ache que precisa sempre dar opiniões, ser engraçado, relevante, inteligente ou correto. Dane-se. Este não é o Show de Truman. Você não precisa ser sempre o centro das atenções - nem mesmo da sua própria atenção.

Quando você conseguir desarmar seu vício de estar conectado a alguma coisa, de estar "ocupado", aí sim vai poder combater com eficiência o vício à internet.

Melhor: a web nem vai parecer um vício. Você vai encontrar naturalmente um espaço para parar e relaxar, sem precisar recorrer a outros aparelhos, como a TV e videogames.

Mas se você acha que seu vício é mais sério e atrapalha sua vida cotidiana, talvez prefira procurar ajuda profissional:

Clique aqui e visite o Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Fonte: Magaiver.blig.ig.com.br

O excesso de informação está nos tornando mais burros?

Uma questão recorrente atualmente é se o excesso de informação e o hábito
de fazer muitas coisas ao mesmo tempo nos torna mais ou menos produtivos.
Uma das mudanças fundamentais com relação ao estudo e à obtenção de
conhecimento trazida pela web e pela informatização em geral é que o acesso
à informação ficou muito mais fácil. Essencialmente, você pode localizar
praticamente qualquer informação em alguns poucos segundos fazendo uma
simples pesquisa no Google, se souber como procurar.

Com isso, formas tradicionais de estudo baseadas em decorar nomes, datas e
listas de informações usadas até hoje no ensino tradicional passaram a
perder espaço e importância. Em vez de simplesmente decorar informações, a
capacidade de localizá-las, analizá-las, tirar conclusões e traçar
estratégias passou a ser mais importante.

Entretando, tirar conclusões acertadas exige conhecer o tema e ter um
grande volume de informações anteriores sobre ele memorizadas. Ou seja, o
estudo regular continua sendo uma necessidade para qualquer bom
profissional, apenas o formato é que mudou.

Entretando, a informatização trouxe também um efeito negativo, na forma de
constantes interrupções. Hoje em dia, é muito difícil encontrar alguém que
trabalhe na frente de um PC que não passe o dia alternando entre diversas
tarefas, interrompendo seu trabalho a cada dois ou três minutos para
responder a uma mensagem no MSN, responder um mail urgente, atender ao
telefone, ver a cotação das bolsas, ver o relatório de acessos do site, ler
as notícias do dia, comentar alguma bizarrisse com alguém ou, ou.. ou?
enfim, a lista é grande.

Existem cada vez mais indícios de que fazer muitas coisas ao mesmo tempo
acaba reduzindo a produtividade em vez de aumentar. Pior, ela mina a sua
capacidade de se concentrar e realizar tarefas complexas, que exigem
concentração, como escrever artigos elaborados, programar, ou analisar
situações de forma detalhada. De um certo modo, seu cérebro se acostuma a
parar o que está fazendo a cada dois ou três minutos para verificar alguma
outra coisa e isso acaba virando um hábito muito difícil de sobrepujar.

A última tora de lenha na fogueira é este artigo do New Atlantis. Citando
outros estudos anteriores, o
artigo defende a idéia de que na verdade o cérebro humano é capaz de se
concentrar em apenas uma coisa de cada vez. Ao fazer duas ou mais coisas ao
mesmo tempo, você na verdade se limita a alternar entre elas e a cada
mudança seu cérebro leva um certo tempo até retornar ao estado anterior.
Além da perda de produtividade, tentar fazer muitas coisas ao mesmo tempo
aumenta o nível de stress, o que também causa efeitos adversos a longo
prazo.

Outro efeito negativo recai sobre a questão do aprendizado. Em essencia,
aprender exige que você se concentre no que está fazendo. Mesmo que o
objetivo não seja decorar informações, mas simplesmente compreender novas
idéias, interrupções prejudicam o armazenamento das informações, tornando
mais difícil se lembrar delas mais tarde, fazendo com que, a longo prazo
você acabe tendo muito mais dificuldade em aprender.

Talvez, este seja um dos motivos que levam tantas pessoas a preferirem
livros e revistas impressas. Ao contrário de um PC, um livro não permite
fazer outras coisas durante a leitura. Você é de certa forma obrigado a se
concentrar no que está lendo. Mesmo que você tivesse exatamente o mesmo
livro à disposição em PDF, você provavelmente teria muito mais dificuldade
para lê-lo no micro, pois a tentação de fazer outras coisas prejudicaria a
sua leitura. Este é só um exemplo entre possivelmente muitos outros. Este é
sem dúvida um tema a se pensar.

Fonte: GuiadoHardware.net