Como tudo na informática, os portáteis podem ser divididos em categorias, que definem as combinações de tamanho e recursos mais usadas pelos fabricantes.
Antigamente, era comum que os portáteis fossem classificados em três categorias: laptops, notebooks e subnotebooks. Os laptops eram os modelos maiores, basicamente qualquer computador portátil o suficiente para que você pudesse colocá-lo no colo ("laptop" significa, literalmente, "no colo" ou "sobre o colo") e usá-lo com relativo conforto. O notebook seria um aparelho menor, aproximadamente do tamanho de um caderno universitário (os IBM Thinkpad antigos são um bom exemplo), enquanto os subnotebooks eram os portáteis ainda mais compactos, que frequentemente sacrificavam o drive óptico e utilizavam processadores de baixo consumo para atingir o objetivo.
Um exemplo de subnotebook é o Toshiba Libretto, que foi relativamente popular durante a década de 1990. A configuração era fraca, mesmo se comparado com outros portáteis da época, mas em compensação ele era pouco maior que uma fita VHS e pesava apenas 850 gramas. O modelo mais rápido da safra inicial foi o Libretto 70, lançado em 1997. Ele era baseado em uma versão de baixo consumo do Pentium MMX, que operava a 120 MHz e suportava o uso até 32 MB de RAM. Uma das maiores limitações era a tela, de 640x480:
A partir de um certo ponto, entretanto, cada vez mais fabricantes passaram a chamar seus portáteis de "notebooks", independentemente do tamanho. Com isso a designação tradicional deixou de fazer sentido, de forma que hoje em dia podemos dizer que os termos "laptop" e "notebook" tornaram-se sinônimos.
No lugar da classificação tradicional, os fabricantes passaram a usar os termos "Desktop replacement" (substituto para o desktop), "Thin-and-light" (leve e fino) e "Ultraportable" (ultraportátil).
Os desktop replacement são notebooks maiores, com tela de 15" ou mais (alguns chegam a usar telas de 21"!), desenvolvidos com o objetivo de serem confortáveis de usar sobre uma mesa e serem relativamente poderosos, sem tanta preocupação com a portabilidade ou com a autonomia das baterias.
Os thin-and-light já são modelos menores, com telas de 14" ou menos, desenvolvidos com o objetivo de serem mais portáteis. Em geral, os thin-and-light preservam um teclado de dimensões normais e continuam sendo confortáveis de usar, apesar da tela um pouco menor. O menor espaço interno limita um pouco a seleção de processadores, mas isto não chega a ser ruim, pois deixa de fora processadores muito gastadores como os mobile Pentium 4 e mobile Athlon 64.
Finalmente, temos os ultraportáteis, modelos com tela de 12" ou menos, que pesam menos de 1.7 kg. Para atingir esta marca, eles utilizam processadores de baixo consumo (e, consequentemente, de baixa frequência), teclados de dimensões reduzidas, drives ópticos miniaturizados (mais caros e difíceis de substituir em caso de defeito) ou drives externos e, em muitos casos, HDs de 1.8" ou drives de estado sólido, de memória flash.
A questão do peso não é necessariamente uma regra. A Lenovo classifica o A100, como um ultraportátil por causa da tela de 12", muito embora ele pese exatos 2 kg e tenha 3 centímetros de espessura, mais do que a maioria dos ultraportáteis, que ficam entre os 2 e 2.5 cm. Ele fica no limite entre o que seria considerado um thin-and-light e um ultraportátil:
Na foto a seguir temos uma comparação entre um Acer 5043WLMI e um Sony Vaio GN-TX670P. O 5043WLMI está no limite entre a classificação de desktop replacement e thin-and-light (ele possui uma tela de 15.4", mas é relativamente leve, pesando 2.85 kg). O GN-TX670P, por sua vez, é indiscutivelmente um ultraportátil, com tela de 11.1" e apenas 1.26 kg. Ele utiliza um processador Pentium-M ULV de 1.2 GHz e um HD de 1.8", da Fujitsu:
Outro termo conhecido é o "desknote", que tem duplo sentido. Atualmente, o uso mais comum é em relação aos notebooks maiores, no lugar do termo "desktop replacement". Nesta conotação, um desknote é um notebook grande, pouco portável, feito para ser usado sobre a mesa.
Outro uso é em relação aos "desknotes" fabricados pela PC-Chips/ECS entre 2001 e 2005, uma classe de portáteis de baixo custo, sem bateria, que aproveitavam componentes usados em micros de mesa. A idéia era até boa, afinal, removendo a bateria, utilizando processadores de baixo custo e aproveitando projetos de placas-mãe para micros desktop, seria possível produzir notebooks relativamente baratos. Na prática, entretanto, acabou não dando muito certo, pois a pequena redução de preço acabava não sendo suficiente para compensar a perda de portabilidade. Os desknotes eram famosos também pela baixa qualidade e pelo uso de processadores de baixo desempenho, como os C3 e os Crusoe, vendidos sob a marca "GigaPro". Existiram modelos baseados no Celeron P6 e no Athlon (as séries A901, A927 e A929), mas eles esquentavam bastante, resultando em problemas de estabilidade.
Outra categoria é a dos tablet-PCs, onde o uso de uma tela touch-screen permite que você use o notebook como uma espécie de bloco de anotações, navegando entre as funções usando uma stylus e usando um teclado onscreen ou um sistema de reconhecimento de escrita para a entrada de informações.
A maioria dos modelos atuais são "conversíveis", ou seja, notebooks normais, onde você pode girar a tela touch-screen, fazendo com que ela se feche sobre o teclado. Desta forma, é possível usá-lo tanto como um notebook normal, como um tablet, de acordo com a situação:
Somados aos recursos de reconhecimento de escrita e anotações, a solução acaba se tornando relativamente prática. O problema é que o baixo volume de produção faz com que os tablets tornem-se mais caros que um notebook "normal" de configuração equivalente, o que faz com que eles também fiquem restritos a nichos muito específicos.
Uma dica é que nas especificações de notebooks é comum que o peso seja informado em libras (pounds) ao invés de quilogramas, já que este é o padrão mais usado nos EUA. Neste caso é só fazer as contas. Uma libra internacional equivale a 454 gramas (453.59237g se quiser o número exato), de forma que um "6 pounds notebook" é um notebook que pesa aproximadamente 2.7 kg.
Muitos fabricantes ainda usam o termo "subnotebook" para aparelhos ainda menores, com menos de 1.2 kg, mas atualmente a designação está caindo em desuso, cedendo espaço para os termos "UMPC" e "MID", que são as novas categorias de pesos leves. Você pode ler mais sobre eles neste artigo:
UMPCs e MIDs
No início de 2006 publiquei um artigo introduzindo a plataforma UMPC e especulando sobre as possibilidades de sucesso da plataforma. Pouco mais de um ano depois do anúncio oficial, podemos notar que o plano não deu muito certo. Os poucos modelos disponíveis são muito caros e as vendas ínfimas, tornando a plataforma mais um objeto de curiosidade, do que uma alternativa real. Vamos então revisitar o assunto, analisando o que deu errado e aproveitando para conhecer os MIDs, que podem vir a obter o sucesso que os UMPCs não conseguiram. Carlos E. Morimoto 10/05/2007
http://www.guiadohardware.net/artigos/umpcs-mids/
Em resumo, os UMPCs e MIDs são dispositivos intermediários, que se enquadram entre os notebooks e dispositivos menores, como celulares e palmtops. Eles são mais portáteis que os notebooks, mas são muito mais poderosos que os palmtops e são equipados com processadores x86, o que garante a compatibilidade com os aplicativos destinados a micros PC.Originalmente, a plataforma UMPC era um projeto desenvolvido por um conjunto de fabricantes, com destaque para a Intel e Microsoft. O interesse de ambos era óbvio: a Intel pretendia vender mais processadores e chipsets e a Microsoft queria vender mais cópias do Vista.
A idéia era boa: criar uma plataforma de PCs ultra-compactos, menores, mais leves e com uma maior autonomia que os notebooks, equipados com processadores dual-core, aceleração 3D, wireless e, opcionalmente, também a opção de se conectar à web via GPRS, EVDO ou outra tecnologia de rede celular. Com um UMPC, você teria um PC que poderia levar com você o tempo todo, carregando seus aplicativos e arquivos, que permitiria que você se conectasse à web ou assistisse vídeos em qualquer lugar.
Apesar disso, plano não deu muito certo. Os poucos modelos disponíveis inicialmente eram muito caros e as vendas ínfimas, tornando a plataforma mais um objeto de curiosidade, do que uma alternativa real.
Um dos UMPCs mais bem sucedidos até a primeira metade de 2007 (pelo menos do ponto de vista técnico) foi o Sony VGN-UX1XN. Ele é um dos poucos modelos com potência suficiente para rodar o Vista:
O problema é que o VGN-UX1XN custava, em maio de 2007, nada menos que 2000 euros, uma verdadeira bolada. Caso ele chegasse a ser vendido no Brasil, não custaria menos de 10.000 reais, dinheiro suficiente para comprar 5 notebooks low-end. O mesmo problema afetou todos os outros UMPCs lançados. Ou eles eram muito caros (a maioria dos modelos custava a partir de US$ 1.600), ou possuíam uma configuração muito fraca, ou ainda ambas as coisas combinadas, o que fez com que, sem excessão, todos tivessem vendas medíocres.
Apesar disso, a Intel não desistiu de criar uma nova plataforma que se encaixe entre o notebook e o smartphone e seja capaz de reforçar suas vendas. Surgiu então o "Handtop" (ou MID).
MID é a abreviação de "Mobile Internet Device". A idéia central é oferecer um dispositivo portátil, baseado em um processador x86 que possa rodar um navegador, leitor de e-mail e comunicadores diversos. A principal diferença entre um MID e um UMPC é que o MID é baseado em um processador muito mais simples, possui menos memória e utiliza alguns poucos GB de memória flash no lugar do HD. A configuração mais fraca visa permitir o desenvolvimento de dispositivos mais baratos e ao mesmo tempo mais leves que os UMPCs.
Não existe um formato rígido a seguir. Os fabricantes podem criar produtos seguindo o conceito de "tablet", usado nos UMPCs, com uma tela touch-screen e um teclado retrátil ou onscreen, ou criar "mini-notebooks", com teclados completos e mouses touch-pad, porém mais leves que um notebook tradicional.
O primeiro projeto ambicioso de MID dentro do modelo proposto pela Intel é o Asus Eee, um projeto derivado do Intel ClassMate, porém destinado ao uso geral e não apenas dentro do ramo educacional. Além de ser bastante compacto e portátil, ele chama a atenção pelo preço, com a versão mais simples custando apenas US$ 200 (no EUA).
O Eee é Ele é baseado em uma versão de baixo consumo do Pentium-M, baseada no core Dothan (ele ainda não é baseado no Menlow, embora ele possa vir a ser utilizado nas próximas versões do Eee). O processador opera a 900 MHz e faz par com um chipset Intel 910 e 512 MB de RAM (DDR2).
Para cortar custos e reduzir o tamanho do aparelho, optaram por utilizar uma tela de apenas 7", com resolução de 800x480. Assim como no caso dos processadores, o preço das telas de LCD é diretamente relacionado ao tamanho. Isso faz com que a tela de 7 polegadas do Eee custe quase um oitavo do preço de uma tela de 19", como as usadas em monitores para desktops. Se calcularmos que hoje já é possível comprar um LCD de 19" (ou EUA) por menos de US$ 300, vemos que a tela usada no Eee pode ser muito barata se produzida em quantidade.
O Eee inclui também uma placa wireless, placa de rede, modem, som e portas USB como qualquer notebook. Ele usa uma bateria de quatro células (a maioria dos notes usa baterias de 6 células), mas devido ao baixo consumo geral, ela dura cerca de 3 horas.
O HD foi substituído por uma unidade de estado sólido de 4, 8 ou 16 GB (de acordo com o modelo). A memória flash caiu muito de preço nos últimos meses (já temos pendrives de 2 GB por menos de 70 reais, mesmo aqui no Brasil) de forma que, apesar da redução na capacidade, usar 8 ou mesmo 16 GB de memória flash já é mais barato do que usar um HD.
Como era de se esperar, o Eee roda uma distribuição Linux otimizada para o aparelho (baseada no Xandros). A proposta é que ele seja fácil de usar com foco no público geral, que quer um aparelho portátil para acessar a web e rodar aplicativos leves, dai o nome "Eee" (Easy to work, Easy to learn, Easy to play).
Ao contrário de um palmtop, que utiliza um processador ARM e um sistema operacional próprio, o Eee é um PC, de forma que nada impede que a distribuição Linux pré-instalada seja substituída por outra distribuição, ou até mesmo por alguma versão do Windows, desde que você consiga instalar o sistema através de um pendrive ou CD-ROM USB e seja capaz de configurar o sistema e otimizá-lo para rodar dentro das limitações do aparelho.
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